Em comunicado divulgado na quinta-feira (6 de novembro de 2025), o Nubank anunciou que a partir de 1º de julho de 2026 entrará em vigor um novo modelo híbrido de trabalho, marcando a transição do regime “remote-first” que vigorava há cinco anos.
O que muda
- A partir de julho de 2026: cerca de 70% das equipes deverão estar presencial “designadas” em escritório mínimo de dois dias por semana.
- Em 1º de janeiro de 2027: o objetivo é aumentar para três dias presenciais por semana, conforme avaliação de modelo, negócio e operação.
- O período entre janeiro e junho de 2026 será de transição, em que o modelo atual, chamado “Nu Way of Working (NWW)” , continua como requisito mínimo, com flexibilidade e pilotos (“equipes pioneiras”) testando formatos.
- Serão investidos novos escritórios e hubs em várias cidades no Brasil (por ex., Campinas, Belo Horizonte, Rio de Janeiro) e no exterior (ex: Miami, Washington DC, Palo Alto) para suportar a nova estrutura híbrida.
Motivação da Mudança
O CEO e fundador do Nubank, David Vélez, afirmou que o modelo remoto trouxe grandes benefícios, mas também “custos invisíveis”, como erosão de cultura, limitação de inovação e menor intensidade de execução coletiva.
Especificamente, a fintech aponta três temas principais para essa transição:
- Cultura e pertencimento: o Nubank considera que estar juntos presencialmente fortalece o senso de propósito e a energia da empresa.
- Inovação e colaboração: encontros presenciais permitem “sparks” criativas, interações espontâneas e maior velocidade de iteração.
- Excelência operacional: a empresa avalia que a eficiência de comunicação, coordenação interequipes e responsabilidade é ampliada com presença física mais frequente.
Impactos esperados e desafios
Impactos positivos:
- Potencial de reforço da identidade da empresa num momento de crescimento regional e global.
- Melhoria da “dinâmica de time”, especialmente entre áreas de produto, tecnologia e operação que dependem de colaboração intensa.
- Fortalecimento da marca empregadora (“employer branding”) para quem valoriza cultura presencial ou híbrida.
Desafios
- Mudança significativa para colaboradores que ingressaram atraídos pela flexibilidade do trabalho remoto. O CEO reconheceu que a medida “gera conturbação, especialmente para quem mora longe das nossas sedes”.
- Logística de realocação ou deslocamento para quem estiver distante dos escritórios designados. A empresa informa que oferecerá “auxílio-realocação” para casos elegíveis.
- A necessidade de definir claramente quais funções estarão sujeitas ao modelo híbrido obrigatório e quais terão exceções (por ex., áreas com pouca interação interequipe).
O que significa para quem trabalha ou pretende trabalhar no Nubank
- Quem for contratado para atuar em funções que exigem forte colaboração presencial deve se preparar para trabalhar no escritório 2 dias por semana a partir de julho de 2026, e possivelmente 3 dias a partir de 2027.
- O anúncio indica que as descrições de vaga vão especificar “modelo de trabalho de cada função”.
- Para quem já é colaborador ou mora fora dos grandes centros: vale avaliar as implicações de deslocamento, custo-tempo, e impacto pessoal.
- Profissionais em funções com exceção fixa (como algumas áreas de compliance/regulação, entre outras) poderão manter um modelo mais remoto.
Considerações finais
A decisão do Nubank marca um movimento estratégico para ajustar sua forma de trabalho à ambição de se tornar “o maior e mais amado banco digital do mundo”, segundo o próprio comunicado. O modelo híbrido não é apenas uma questão de retorno ao escritório, mas de reforço da cultura, da colaboração e da execução em escala.
Para organizações de tecnologia, carreiras em TI ou interessados em transição de trabalho remoto para híbrido, esse anúncio traz lições importantes sobre os trade-offs entre flexibilidade individual e colaboração coletiva, algo que o mercado de trabalho de TI observa com atenção.